José Kappel

Um amor sobrevive ao outro.

Textos


no princípio ficou
tudo claro,
depois, só
acertamos
o tamanho
do precipício.

ficaram tediosos
os alvos dias,
sem ao menos saber
quem a gente era.

meia-sorte
de quem é dono
dos dias
e também
dono de toda
a vida
e da imensa
morte !

só os donos tinham
o fogoso do corrimão
que leva ao desespero,
numa fração de bentos!

dias meus!
dias seus!

e de todo
me
pergunto:
que fase
é essa
que só
me perco
dentro
de mim?

igual à lilases,
sem nascer !
ou desbravadas amapolas
até capazes de sonhar !

de tudo que
restou,
de pronto,
ficou pouco,

ou não ficou
ou ficará rouco
de tanto gritar:
 
me viva
minha vida
de perder,
igual ao rude
medieval.

um par de roupas,
quinquilharias
de homem, e uma
dor sofrida que
dela sobrou,
 
foi o que sobrou
da tal vida
de socobros !

na terra lenta,
sou de lastro,
e lá sou apelidado
de cata-vento!

e roda pra cá,
e vira pra lá.
hoje, apenas
restou a imagem,
minha e dela,
que nem o basto
espelho gostou !

virei águia
sem pouso,
virei guia
dos poucos.
a morte dos poucos
é o que resta de
minha vida
igual a tenra louça !

e sabem ?
no caos que virou,
virei porte de luz
e ela pirilampos,
atrás de lampejos,
o que a todos irou !
 
José Kappel
Enviado por José Kappel em 06/05/2017
Alterado em 24/05/2017


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