José Kappel

Um amor sobrevive ao outro.

Textos


Tiro o laço,
ponho a corda,
faço a fita sem cor,
mas neste jardim
pra colher um beijo
é faina de gigante,
ou de bravo conquistador.

Por isso ficava angustiado,
minha cabeça girava igual zona,
toda hora era aquela premência e
ansiedade,
pois ela era mulher
que um dia seria
minha vida.

Era considerada, nas conversas
de sexo,
a mais rígida e anversa!
Durona ! Sempre às pressa  !

Um dia parti o laço,
e corri de sua sombra afainada,
e procurei uma mãe-de-santo,
e ela aconselhou: para seu
caso ela tem que sentar em dois
ovos quentes e dar um grito,
que ela ficaria, a partir dai,
mansinha...bem mansinha...
e você ganharia o amor
desta afainada !

Fiz o que fiz: levei pro encontro
dois ovos fresquinhos e quentes,
quando ela bobeu pus os ovos
debaixo de sua saia.

Aquilo estalou, ela gritou,
igual a um animal parindo,
que chamou a atenção
de todo mundo da casa
e todos saindo,
mas correndo.


Zebrou!

Veio o irmão dela,impoluto,
pensando que eu estava
matando a mulher incorrupta !
e acertou direto,com o pé,
meus simples e queridos ovos.

Eu também gritei de dor.
E ficamos nós dois gritando
de dor.

Eu com dor nos ovos,
ela lambuzada de
ovos.

Uma faina de ovos !

Agonia dos passionais!

Moral da história: fiquei sem
a mulher, ela nunca mais
quis saber de mim,
era bem uma decisão bem alentada !

pois
de ovos, eu, quase aleijado
ela bem queixada de
puros ovos
assombrados !

Tudo...tudo... por puro amor
e por acreditar no sobrenatural.
Eu,  agora sem mulher e ela correndo
até hoje de ovos de
qualquer cor ! Só vendo !


 
José Kappel
Enviado por José Kappel em 13/07/2017
Alterado em 27/07/2017


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