José Kappel

Um amor sobrevive ao outro.

Textos



me completei,
virei figurinha
fácil, torno de terra
de ninguém,
espada sem véu,
sem entrelaços
de mãos,
sem coisas para pensar.

no todo,
me desabei !

me completei e
sou apenas um
número
na galáxia de sonhos
com adornos
de meia luz,
rotundas
e negras.

já vou,
falar pra quê?

aconteceu
o que já esperava
desde criancinha -
o sozinho.

e isso me amedronta,
pois
virei bolha de ar,
espumante, mas
assim mesmo
indiferente
dos passantes
que vivem do vento !

agora
sou torno mecânico
que funciona
à beira
da fúria.

contento esmirado
por bala,
de chumbo.

um dia
vivi
de jasmim,
copos de álcool
e cigarros
ultrapassados.

troquei até
figurinhas
com os
maltratados.

basta.
me vou.

a única coisa
que me amedronta
é ir sozinho.
isso lá é igual
enfrentar garras de onça
na primavera da
vida.

mas que vida ?
zonzo, zonho !

e isso lá
bem poderia
ser um
sonho,
mas não é.
 
é pura
verdade
do
meu
   seria  !
José Kappel
Enviado por José Kappel em 07/04/2017


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