José Kappel

Um amor sobrevive ao outro.

Textos


 
* Ser tênue balança onde os fracos de espírito se pesam.
 
* De passar a andar de costas pensando que estou correndo pra frente.
 
* De ser atalho para o falso.
 
* De ser propriedade  da tristeza.
 
* De ser amante dos falidos em pureza, e intensidade dos derrotados pela agonia daqueles que nos desprezam.
 
* De todos que se dizem donos de alguma coisa.
 
* Da falácia en descobrir que o céu existe.
 
* De sentir frio no verão.
 
* De ser adepto da exclusividade.
 
* De ser intransigente com a solidão.
 
* De pensar que a igualdade entre as pessoas é apenas formalidade.
 
* Das coisas que chegam primeiro.
 
* De saber o que é um sonho e nunca ter um.
 
* De abrir a porta e perceber que vivia num deserto.
 
* Das luzes que nunca se apagam.
 
* De caminhar à noite e o relógio da matriz marcar meio-dia.
 
* De ser chamado e não conseguir ouvir.
 
* Do tempo achar que estou sendo demais.
 
* De tentar reviver o passado sem nunca ter tido um. Mesmo passados exauridos.
 
* Dos que falam em bondade, fraternidade e amor atrás de uma mesa de cedro.
 
* Esquecer que dia foi ontem e que no ontem eu jamais estive e, se estive, alguém me falar que ele existiu.
 
* Duvidar da palavra de um sóbrio.
 
* De acreditar na guerra e naqueles que delicadamente as constroem, para os dormentes conquistar.
 
* De meu cão não entender tudo o que eu ensino pra ele.
 
* De aprender a escrever.
 
* De toda manhã sobrevoar meu jardim, de poucas flores, sem nunca ter aprendido a voar.
 
* De não aprender a morrer.
 
* Da mulher que amei na juventude, e me renegou, e hoje pede esmolas de amor em todas as camas dos reis falidos que normalmente frequenta.
 
* De aprender a pensar.
 
* De pensar que estou burilando pepitas de ouro que não passam de mesclas de pedras rudes e solitárias.
 
* De nunca acreditar no que digo, falo ou escrevo.
 
* De ser tecnologia ultrapassado.
 
* De ter centenas de amigos de papel.
 
* Transformar meus sonhos em realidade.
 
* De ser pássaro e viver cantando para alguns homens ávidos em embebedar-se com meu canto-prisioneiro.
 
* De ser triste.
 
* De ser gente.
 
* De não ser.
José Kappel
Enviado por José Kappel em 10/04/2017


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