José Kappel

Um amor sobrevive ao outro.

Textos


Mulher Maria

À MARIA CABE:

1.
dedilhar centúrias
de flores e armá-las
de manseiros à bravura
de seu amor.

e, ao guerreiro comum,
alentar
com sorriso de mulher,
seus afeitos
de jasmim
comungando os fracos
com seu amor.

2.
não olvidar
dos esquecidos,
dos meias-pátrias,
dos desfeitos
pelo infortúnio,
que alam e apregoam
de solidão.

e, na vida,
nada mais querem,
do que sorver,
mesmo que por minutos,
do cálice de ouro
que habita em
seus lábios.

faça deles o início
do apanágio
para sua vida eterna
num momento
sagrado,
onde vivem aqueles
de precipícios.

3.
não ficar devedora,
igual aos seixos
largados
às margens de riachos.

de seu amor
faça-os forte
e de grande porte.

dos pobres de amor
faça-os ricos
com beijos que
apaneiam a lenta
demora que
mata até os fortes.

maneja-os com
o acarício de uma flor.
e, em nome dos sem filhos,
deva-os o assento
da fraternidade.

uma palavra basta,
pois a rosa dos seios
conforta
e o olhar hasto
os fará farto.

4.
mantenha-se
no equilíbrio
da vida
e saiba que
o hercúleo natal
também tem areia
e sangue.

mas tem também
seu brilho
sem vestal rodeado,
que chameia para
todos a vela
comum que dos
olhos perdidos
os fará chameados.

5.
quando, de frente às
torres eslavas,
dos homens de grego,
não os deixe desaminar.

pois tamanha é sua
riqueza que afaga
os pobres e alenta
de natureza forte
os abandonados
do carinho e os
perdidos de caminhos
na terra dos inflamados.

6.
não deixe ninguém
padecer sem seu beijo
pois nele está a vida,
somenos, a esperança
dos que nunca veem.

dados nos costados
dos homens
santos não há,

lá viceja apenas
a afronta dos já
nascidos e fadados
para nada ser
no mundo feito
sem apanágios.

7.
e à maria cabe
tornar todo
homem uma realidade,
todo sonho
em seu colo
uma eterna
manjedoura
de felicidade.

pois na terra de Zeus
já dizem por lá:

viva maria !

que dorme doce,
que afaga
com beijos
os dormentes
de solidão
que vagueiam corço.

e, neste vazio dos
homens,
ninguém deste mundo,
há de deixá-lo
sem ouvir as palavras
de maria,

não há de morrer
sem seu profundo
beijo de fraterno
e abençoado
de chameios que
fazem os
eternos.

Poema e Foto:
José Kappel
Enviado por José Kappel em 05/06/2019


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