José Kappel

Um amor sobrevive ao outro.

Textos

Face Medieval
Crise dos tempos!
Meigas horas,
que me entrego ao Zeus!

Dores comuns,
latejam lonjuras,
como flechas ardentes
que pousam na carne
debilitada por cravos
e ansiedades do tempo
castiço, que
morreu brado, em meus braços!

Floro mágoas nesta manhã,
onde o ferro basto,
atravessa a carne e o pão,
e me corrói
denso! Floral, indeciso,
de fácil uso,
e de difícil manuseio.

O apogeu de lágrimas
que desbancam de seu rosto -
pétula acostumada à beleza -
também são rasas minhas!

Ah! perdido entre a festa
e o riso!

Acato a piedade mas não
perdoo os acostumados.
Acato os dizimados
mas afugento os covardes
que se negam ao pranto
dourado do amor.

Força mista, incomensurável
de espadas e canções que
vindas do céu, são seu signo
de prazer e desejo e
pelo mar acalmo,
pelo doce do sol,
que se esparge
entre as formas de seu
rosto e cristaliza
uma beleza nunca vista.

Perco por tudo! Agasto!
Choro e contorço,
minha ânsia de cem anos,
por um minuto agreste
de mãos dadas pelo único
amor - você -,
flor que sobrevive na
abóboda amena do céu
e apaneja estrelas
com seu suco,
com a face quase medieval
e doce de olhar
e amar !

Se a perdi, sei que agora
habita o fausto da luz!

E vivo agora do sombreiro de
seu corpo e de seu espírito!
Ave-carne!
Ave-espírito!
Acalenta minha dor!
José Kappel
Enviado por José Kappel em 07/06/2019


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