José Kappel

Um amor sobrevive ao outro.

Textos

Intricado Amor

Antes que a noite chegue, e os pássaros
em caminhada serena procurem seus nichos,
olho travesso o cair da tarde.
E nada me apavora mais do que a sofreguidão
em espairecer alento e ver tudo nascer e morrer à minha volta.
Há restos de fogo do sol ainda no ar e plaina uma névoa,
digna de um holocausto de beleza.
O odor das flores começa a sombrear o ar,
numa maestria de dominós perfilados.
Tudo bem particular.

Pois, os homens à minha volta não percebem
que algo se transforma na natureza.
Poucos se dão conta do milagre.
Estão ali por mútua passagem.
Mas nada os assombra.

O início e o fim das coisas estão em nossas mãos, 
deslizam por nossos olhos, fincam estrelas em nosso corpo,
lapidam o louco em consciência e transformam o são em trôpego.
Doce aventura do homem !

É o sinal da vida.
É o início da morte.
De mãos dadas com meu cinturão de esperança,
onde argila e ouro de misturam,
num sinal que não há lugar para ambos.

É o início de alguma coisa, se não posso traduzir,
posso imaginar: eu sou a meia-parábola,
a continência, o rebuliço, o caos,
pois misturo sua face com o ardor da natureza
que só espelha nosso intricado amor !
José Kappel
Enviado por José Kappel em 05/07/2019
Alterado em 03/10/2019


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