José Kappel

Um amor sobrevive ao outro.

Textos

Doce Camomila

Roda a saia de azul, faz dela hortelã.
Toca as mãos no rosto como se fosse uma santa
- brando-jasmim.

E digo:

- faz a roda Camomila, a roda das crianças.
Morango silvestre, com blusa de cheiro,
velha, de empório.
Mas faz a roda.

Modeia Camomila, enquanto resta tempo pra chegar.
Sai do pomar e carrega maçãs entre as pernas
e especiarias nos lábios.

Agora sou da cor de laranja-lima.
Faz tempo, Camomila,
faz tempo que tudo era roda de criança.
Rodeia Camomila, pois o tempo agora me bate
e daquela época sobrou uma garrafa pura de aguardente,
uma lasca de dor na carne...

E quando ela sumiu pela porta, vento afora,
e nunca mais voltou eu apenas disse:

- morri também e meus pecados lá se foram
com a doce e meiga Camomila !
José Kappel
Enviado por José Kappel em 28/12/2019
Alterado em 06/01/2020


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