José Kappel

Um amor sobrevive ao outro.

Textos

Passadiço de Solidão

Sob a direção de minha já
premente e usual solidão,
me perco agora em pensamentos
poucos comuns para um homem
de minha idade.
Penso em ser criança e não posso,
Agora, agora mesmo só disso gosto!

Mas não posso, a vida não dá deixas.
Se perder o bonde, espero outro,
mas não é o mesmo,
que me levaria a sonhar com gosto!
Mesmo sendo canhoto!

Me perco diante de mim mesmo,
sou imagem de corpo e alma.
Isso eu vejo a toda hora com muita calma.
Mas o que sinto no coração são puras farpas
como alguém que andou no matagal da vida
carregando um saco de lantejoulas mágicas
e um arco.

O que vejo agora não é mais o que eu via
quando tinha a sua idade
- aquela que o amor desflora -
e você de repente, de um hora
pra outra hora, vira princesa encantada,
cheio de orgulho - e todos me olham.

Hoje, passadiço de três voltas,
sendo uma e meia,
sou ardor de pedra,
comida de ventos,
e carne de sol!
Igual, igual assim, ninguém erra!

Se quero voltar não há passagem;
se quero andar - dizem - mataram as aragens -
Se quero subir a mais alta montanha
me dizem ser incauto como tal arranha.

E assim, vejo todos os dias
você passar,
de salto alto
e metro e meio de saia.

Penso em falar:
Maria, Maria dá a volta,
pensa e acorda!

Eu sou sua vida
Você é minha querida!
Você é meu sonho preferido!
José Kappel
Enviado por José Kappel em 18/01/2020


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