José Kappel

Um amor sobrevive ao outro.

Textos


Abóbodas sem teto
faz chover na
meia-luz que embriaga os
sentidos,
e me faz te ver.


Se algum dia eu passar por ai
quero ver minha antiga nação,
quero ver o povo tribuno
discutindo amor no meio
da velha praça.


Próximo, rondam estátuas,
que ninguém liga ou quer
conhecer.


Próximo, asentam-se flores
mordicadas pelo abandono.
e sacrificadas à luz do sol.


Há barraquinhas de crianças,
velocípides invencíveis,
babás entendiadas de musgo de
solidão,
e muita sombra vinda de árvores
copadas de cor.

Folhas soltam-se dispersas
e vêm cair nas cabeças calvas
dos sentantes, ou roçar as pedras
hexagonais que firmam o piso,
mas faz vãos tropeçáveis.

À frente da praça acorda
o comércio e marca o início
da rotina das horas.

Eu? Eu sou isso tudo,
numa mistura de céu e terra,
de infernos e ansiedades.

Eu? Eu estou perdido
no princípio e no fim
destes homens,
mulheres e crianças.

Lembrar pouco,
faz sofrer de menos!


Eu? Estou perdido
entre meu mundo
que arde,
e outro mundo
que nasce,
sem pedir licença.

Eu? Sou simplesmente uma sombra,
pálida,
um espírito vago, sou
ameno,
mera ânsia dos áridos !
José Kappel
Enviado por José Kappel em 09/03/2020
Alterado em 09/03/2020


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