José Kappel

Um amor sobrevive ao outro.

Textos


Nenhuma noite é perfeita,
principalmente as noites dos homens;
de mulheres, falam por elas,
mas dos homens,falo eu,
desastre permeável.

 

Enquanto alguns seguem caminhos
já abertos;
outros se aventuram em trilhas
mal acobertadas.

 

Uma zoada!


Perfeito ninguém é!


Mas tentar ser mais,
é milharar na terra arada!

 

Entrar por esses caminhos,
cheio de tortas vielas
e casebres iluminados por velas,
é falta de bom-senso e 
total corruptela.

 

Mas todos entram,
como pássaros na gaiola,
pretendem alcançar o
impossível
dentro de seus vazios.

 

E vazio é o que mais domina.


Se vê um copo escorrer  na mão
suada, pode crer que a legião
dos desamparados começou 
a se formar na reta dos imigrados.

 

Todos vêm de um só lugar
Todos vão para um só lugar.


Casa de xícaras, copos de cristal,
mesas postas,luzes feéricas!


Risos à tôa,
sem sentido,
sem pátria métrica.

 

E olhando de longe,
tudo isso,
a gente acaba por entrar
na festa dos irrizórios.

 

A festa que leva homens e mulheres
a lugar nenhum,
senão pra dentro
deles - sem caminhos de volta!

 

Cada um pega um pedaço
de solidão e vai sonhar ao lado
de outro vazio.

 

E são tantos os vazios
que nele nem cabe o mundo.

 

O mundo da gente,
o mundo delas,
todos perdidos e mudos
atrás do sentido das chegadas,
do valor do existir.


Pois perdido foi,
achado nunca mais!

 

E se embebeda de
vazios prá todo lado;
Na noite dos desamparados !

 
 

José Kappel
Enviado por José Kappel em 14/09/2022
Alterado em 14/09/2022


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