José Kappel

Um amor sobrevive ao outro.

Textos


A estadia é meia parada
de meu caminho.

 

Se ando por lá,
perco horas
de carinho.

 

Se por lá
fico,
ganho horas
de desprezo!

 

Enfim!


Sento na mesa
dos sozinhos,
e auguro por manjares
que tanto lá me sonham!


Acerto! Sou andante,
de pátria sem rumo,
de amante sem prumo,
de cacholas e donzelas
falantes!

 

Sou minhas horas pois
terço meu caminho;
se sou fado, entorto!
se sou rei dos góticos,
navego em sonhos
coroado de rusgos pinhos!

 

Durmo no torço reinado
de seu corpo cheio de
esperanças minhas,
feito de doces vinhos brancos,
mas nunca adorado de abraços,
nem em arkansas.

 

Deste fruta que amo
sou sombra de árvores,
sou a ânsia, sem doce,
imagem que todos
desabonam !

 

Sou eu,
carrego o fardo de ser
caminhantes das horas
cujo ponteiros
nunca se movem,
por desprezo  ou desamor.

José Kappel
Enviado por José Kappel em 15/09/2022


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