José Kappel

Um amor sobrevive ao outro.

Textos


Sou parte da metade,
meio inteiro por partes,
sou andarilho corriqueiro
e não sou de carregar bandeiras.

 

Se arde, coloco a cura.


Se perco, culpo o devasso.


Mas olha pra trás prá descobrir
o que não vem.

 

Se é floresta tem sombra,
se é deserto, procuro a adega
dos mosteiros que pendem
aos ilhéus. 

 

Se é pendular, fica convexo.


Nada mais atrai. Nem a atenção
dos senhores da terra e
das senhoras com divinas pretenções.

 

Cura tem.

 

E só sair de si mesmo,
voando igual bala sem jaça.


Cura tem, mas preciso é se sujeitar
ao princípio da coisa:
ser portátil e não ser volátil,
ter condizente e alar de parafina
os alados ! 


Se dói, dói na carne
carne feita de ardida para
machucar.


Se não sente o pão,
não sente a vida,
se é arguto,
passeia com azedos
roliços e amargos da vida.

 

Se tudo é assim
parto do princípio
que a coisa começa
devagarinho
e vai matando enquanto
você ainda procura
dentro si mesmo -
o andarilho 
vagante.

 

O próximo é meu:
do andarilho  que espera
um dia, um dia só,
ser o que nunca foi
e sonhar amargo pelo 
que tentou ser.

José Kappel
Enviado por José Kappel em 15/09/2022


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