José Kappel

Um amor sobrevive ao outro.

Textos


tempo lascivo
que me
bruta
no vago,
e tonteia
passado e
presente.

 

sem crivo
de santos

ou

carinho

de falidos

faz a mistura
do ódio 

para guardar
nos ponteiros

da glória.

 

já não alcanço
sua formosura,
já não abraço
sua cintura.

 

tudo de bravo
diverge e compõe
o nosso tempo
de lascos.

 

um dia,
de arder,
quando não
for mais sol,
entro
na rústila noite,
e abraço os
musgos das
sombras de
outeiros.

 

por onde passou
e deixou marcas,
de resto,
o que ficou!

 

se valho,
não sei.

desejo e
falo
deste longa
vida.


como se amacia 
o damasco
nos lábios
adocicados,
dos ventres

gloriosos
de enlace.

 

saia comprida 
dos
avantes!

 

vestal
de azul-moreno,
seu vestido

fica,
bem rente ao mundo.

 

e nele
choro
emperdenido,
fazendo coro
dos nossos
jamais.

 
 

José Kappel
Enviado por José Kappel em 22/09/2022


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