José Kappel

Um amor sobrevive ao outro.

Textos


Quero um açoite qualquer 
que tire essa dor,
dor que vem de dentro,
raspa a saudade
e explode em lágrimas.

 

Que fazer?


O mundo não para de dar voltas,
e conseguir surpresas
a cada novo sol?

 

Que fazer,
se o trigão da terra
desvaneceu-se ao
vento de outono?

 

É a idade que antecede à colheita,
é o rumorejo da velhice lá longe,
aguardando, de mesa posta,
a vítima de cada dia.


Assim, deito no colo da vida
-de puro cetim -
e espero pelas boas novas:


mas que não venham de açoites!


durante meus pernoites,
nesta casa de ninguém, onde
toda noite todo mundo se renova
em juventude, eu me renego à solidão
dos minutos num só mundo.


Por um instante qualquer
quero ser tão puro no coração
desta maré de quatro
estações,

que não
nenhum vento e sempre seja
banhada de um sol radiante !

 
 

José Kappel
Enviado por José Kappel em 22/09/2022


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