José Kappel

Um amor sobrevive ao outro.

Textos


Roço o rosto,
levito o suave,
medro o palmo
e faço o terno.

Pulo de dois,
na cerca da vida,
empurro bois,
cavalgo alados
tudo a procura
dos pacatos.

Roço o rosto
faino a dor
repasso torto
a voz dela
em pé, firme e com
azul de cor.

Roço o rosto
tento a paz e silêncio
neste campo de sol
nesta vesga aparente.


Sou vivo e disso
me encarregam

de prover

a água para os melros.

Ando à passso,
corro por ruas
e enviezo por avenidas,
quase nuas.

As gentes se foram
pra algum lugar
perto de algum
das belas calandras.

Não fui, por receio
e bastante permeio sinto
de lá ficar,

pois é de lá que

roça meu medo!

 

Pois lá

morrem flechados

o belo canto

de melros desavisados

e supresos,

nas água dos impuros

de amor .

 

 

 

José Kappel
Enviado por José Kappel em 17/11/2022
Alterado em 17/11/2022


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